OS VINHOS
Divido os vinhos tranquilos, popularmente designados por vinhos de mesa, de acordo com a frequência de momentos de consumo que o seu preço, reflexo (relativamente proporcional) da qualidade e da quantidade produzida, permite. Todos os anos, durante os meses de Maio e Junho, provo, com a metodologia de prova cega, mais de 1500 vinhos que partilham entre si duas características: o seu preço de prateleira estar balizado entre 2 e 10 euros e se encontrarem em comercialização na moderna distribuição, prontos para entrar num carrinho de compras; a selecção das melhores classificações é editada em livro.
Entretanto, durante o mês de Outubro provo, também em prova cega, cerca de 800 vinhos que a imensa maioria da produção nacional considera como as suas propostas de nível superior: os topos de gama. É também com base nos resultados (que serão publicados, durante o período de Natal, em formato digital neste meu site) que justifico as nomeações para os melhores Vinhos de Calendário, ou seja, néctares que, devido à sua exclusividade e preço, merecem a escolha do consumidor de forma espaçada no calendário, muitas vezes como testemunhas de boas celebrações
QUINTA DO PERDIGÃO ENCRUZADO
DOC Dão, Branco, 2024.
Encruzado. Amarelo citrino claro. Herbais de infusão, botão floral, fruto branco e ananás entre frescura limonada. Terroso mineral. Madeira suave e bem agregada. Cremoso, sucroso, alongamento elegante de um vinho fresco e lavante, aplaudido em qualquer mesa.
QUINTA DO PERDIGÃO. W-93 Pts. GUIA COPO & ALAMA. “Melhores 305 Vinhos Portugueses 2026.
QUINTA DOS TERMOS, VINHAS VELHAS, RESERVA
DOC Beira Interior, Tinto, 2022.
Trincadeira Preta, Jaen, Rufete e Marufo. Granada intenso. Bons fumos de tosta e terra, geleia de bergamota, peitorais de caruma e baunilha presente. Sucroso, volume denso e conversador. Gastronómico e qualitativo.
QUINTA DOS TERMOS. W-93 Pts. TOP 100 DO NOVO GUIA POPULAR DE VINHOS 2027″. À VENDA NAS LIVRARIAS.
EM DESTAQUE O NOVO GUIA POPULAR DE VINHOS 2027. À VENDA NAS LIVRARIAS.
O VINHO E O ÁLCOOL
Por Aníbal José Coutinho
Este texto será, provavelmente, um dos mais difíceis e controversos (e também o mais longo editorial) que já escrevi; o oráculo de uma bebida histórica, cultural e social, testemunha da ascensão e queda de impérios, dos ritos profanos e sagrados e de todas as etapas da vida pública e privada, é tão imprevisível quanto o limiar entre os efeitos positivos e negativos do álcool em cada ser humano.
Está bem documentado que o álcool puro, maioritariamente etanol, um dos constituintes do vinho, é uma droga barata. O álcool, no corpo humano, é decomposto através de múltiplos processos metabólicos. A principal via envolve duas enzimas: a álcool desidrogenase (ADH) e a aldeído desidrogenase (ALDH). No fígado, a ADH inicia a degradação ao converter o álcool (etanol) em acetaldeído (CH3CH=O). O acetaldeído é um metabolito intermediário, altamente tóxico e carcinogénico. A enzima ALDH metaboliza depois o acetaldeído num composto inofensivo chamado acetato, que é posteriormente transformado em água e dióxido de carbono. Quando uma pessoa consome bebidas alcoólicas numa velocidade superior à capacidade de processamento da ALDH, a enzima fica saturada. Problemas podem surgir devido a esse excesso de acetaldeído livre que circula pelo organismo, provocando os sintomas agudos da ressaca (dor de cabeça, náuseas, rubor) e os potenciais danos crónicos nos tecidos.
No decurso da minha carreira académica, culminada com um doutoramento em Engenharia Alimentar, experienciei as virtudes e as falhas do método científico: das hipóteses levantadas, da revisão bibliográfica, dos métodos experimentais, da análise de dados, dos resultados e discussão das hipóteses iniciais e de uma conclusão com indicação de perspetivas para futura investigação. […]



