OS VINHOS
Divido os vinhos tranquilos, popularmente designados por vinhos de mesa, de acordo com a frequência de momentos de consumo que o seu preço, reflexo (relativamente proporcional) da qualidade e da quantidade produzida, permite. Todos os anos, durante os meses de Maio e Junho, provo, com a metodologia de prova cega, mais de 1500 vinhos que partilham entre si duas características: o seu preço de prateleira estar balizado entre 2 e 10 euros e se encontrarem em comercialização na moderna distribuição, prontos para entrar num carrinho de compras; a selecção das melhores classificações é editada em livro.
Entretanto, durante o mês de Outubro provo, também em prova cega, cerca de 800 vinhos que a imensa maioria da produção nacional considera como as suas propostas de nível superior: os topos de gama. É também com base nos resultados (que serão publicados, durante o período de Natal, em formato digital neste meu site) que justifico as nomeações para os melhores Vinhos de Calendário, ou seja, néctares que, devido à sua exclusividade e preço, merecem a escolha do consumidor de forma espaçada no calendário, muitas vezes como testemunhas de boas celebrações
QUINTA DO VESUVIO
DOC Douro, Tinto, 2022.
Vinhas Velhas. Granada intenso e carmim. Atourigado nas violetas e bergamota em infusão, caruma peitoral, as melhores madeiras doces e apimentadas, bagos em licor de cacau. Denso e mastigável, leve tanino aderente e vivo. Boca conversadora, fresca e com personalidade. Prazeroso em qualquer mesa internacional.
SYMINGTON FAMILY ESTATES. W-93 Pts. GUIA COPO & ALAMA. “Melhores 305 Vinhos Portugueses 2026.
QUINTA D’AMARES, CLAUSTRUM, LOUREIRO
DOC Vinho Verde, Branco, 2022.
Loureiro. Amarelo-dourado-claro. Muito mentolado, tropicalidade, alguma em rebuçado, padaria especiada, nota mineral terrosa. Denso, muito lavante, sempre fresco e conversador. Qualitativo e de boa guarda.
QUINTA D’AMARES. W-93 Pts. NOVO GUIA POPULAR DE VINHOS 2027″. À VENDA NAS LIVRARIAS.
EM DESTAQUE O NOVO GUIA POPULAR DE VINHOS 2027. À VENDA NAS LIVRARIAS.
O VINHO E O ÁLCOOL
Por Aníbal José Coutinho
Este texto será, provavelmente, um dos mais difíceis e controversos (e também o mais longo editorial) que já escrevi; o oráculo de uma bebida histórica, cultural e social, testemunha da ascensão e queda de impérios, dos ritos profanos e sagrados e de todas as etapas da vida pública e privada, é tão imprevisível quanto o limiar entre os efeitos positivos e negativos do álcool em cada ser humano.
Está bem documentado que o álcool puro, maioritariamente etanol, um dos constituintes do vinho, é uma droga barata. O álcool, no corpo humano, é decomposto através de múltiplos processos metabólicos. A principal via envolve duas enzimas: a álcool desidrogenase (ADH) e a aldeído desidrogenase (ALDH). No fígado, a ADH inicia a degradação ao converter o álcool (etanol) em acetaldeído (CH3CH=O). O acetaldeído é um metabolito intermediário, altamente tóxico e carcinogénico. A enzima ALDH metaboliza depois o acetaldeído num composto inofensivo chamado acetato, que é posteriormente transformado em água e dióxido de carbono. Quando uma pessoa consome bebidas alcoólicas numa velocidade superior à capacidade de processamento da ALDH, a enzima fica saturada. Problemas podem surgir devido a esse excesso de acetaldeído livre que circula pelo organismo, provocando os sintomas agudos da ressaca (dor de cabeça, náuseas, rubor) e os potenciais danos crónicos nos tecidos.
No decurso da minha carreira académica, culminada com um doutoramento em Engenharia Alimentar, experienciei as virtudes e as falhas do método científico: das hipóteses levantadas, da revisão bibliográfica, dos métodos experimentais, da análise de dados, dos resultados e discussão das hipóteses iniciais e de uma conclusão com indicação de perspetivas para futura investigação. […]



